Da torneira pingando ao tremor de pernas do companheiro de banco; dos carros lá fora, da chuva caindo até o incessível barulho de nossos corpos: jamais estamos em silêncio. Seja do barulho de nossos corações - até dos quebrados - ou apenas um zumbido qualquer em nossas orelhas... Jamais estamos em silêncio.
Portanto convoco-o, já que se gaba de sua coragem... Desperte em mim a plenitude. Não digo para parar meu coração, não me entenda errado, decepção já virou um hábito tão forte como o ar em meus pulmões. Mas quando repousar minha cabeça no travesseiro, ao invés de escutar meu corpo em lástima, espero que preencha meus pensamentos de ti. Mergulhe-me em tua voz, mesmo que esteja ausente. Faça-me esquecer do triste, do passado, do que for... Abrace-me no teu silêncio, me encante com tuas promessas, envolva-me no impossível. Sei que depois o silêncio há de acabar, mas antes de magoar-me, engane-me! Faça-me sentir viva, pois minha alma confiou tanto na tristeza que agora se encontra entorpecida, já sem forças para sequer lutar contra as ondas de sangue frio.
''Vamos lá, cavalheiro, que de erros se fazem experiências. A porta está aberta, as falsas esperanças me engolindo... Está na hora de alguém me salvar.''
Arquivo.: 02/11/09.
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